Agile e PMBoK: é possível unir os “opostos”!

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Opostos 300x300 Agile e PMBoK: é possível unir os opostos!

Introdução

Um representa o modelo tradicional, pautado no conceito waterfall. O outro, representa inovação, o valor às pessoas.

Os mais tradicionais defendem o primeiro. A Geração Y é “fanática” pelo segundo.

Estamos falando do PMBoK e Agile, tão diferentes e tão próximos. Neste artigo entenderemos porque.

P.S.: O pré-requisito para leitura deste artigo é o conhecimento prévio nos conceitos básicos do PMBoK e métodos ágeis.

Motivação para o artigo

Já venho pensando em escrever um artigo sobre esses dois mundos há muito tempo. A principal motivação para tal se dá em comentários absurdos que leio pela Internet, onde, de um lado os PMPs se acham os inventores da roda e, de outro, os agilistas se sentem os defensores de uma causa milagrosa, capaz de transformar qualquer projeto fracassado em sucesso.

O ponto-chave que me levou escrever este pequeno post foi um excelente artigo do Marcelo Zeferino publicado na revista MundoJ (número 46), entitulado “Agile e PMBoK: Unindo dois mundos para otimizar um projeto”. No artigo, o autor aborda um caso de um projeto liderado por ele cujo sucesso se deu após a aplicação dos dois mundos, doravantes distintos.

Este artigo complementará o artigo do Zeferino pois abordarei aqui os conceitos convergentes entre PMBoK e Agile, enquanto no outro artigo, você entenderá que essa união pode sim dar resultados positivos.

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Agile e PMBoK: mundos diferentes. Será?

Consultando a quarta edição do PMBoK, pode-se facilmente identificar vários pontos convergentes com os conceitos ágeis, a seguir:

  • O PMBoK não trata o gerente de projetos como o super-herói que manda e desmanda no projeto: “cabe ao gerente de projetos e à equipe de gerenciamento determinar o método mais apropriado de execução do projeto” (PMBoK 4ª edição);
  • O PMBoK afirma que o gerenciamento das expectativas das partes interessadas é papel do GP: “Uma parte importante da responsabilidade de um gerente de projetos é gerenciar as expectativas das partes interessadas”;
  • O PMBoK incentiva o envolvimento da equipe com as demais partes interessadas: “Parte da responsabilidade do gerente (…) é garantir que a equipe do projeto interaja com as partes interessadas de uma maneira profissional e cooperativa”;
  • O PMBoK sugere o envolvimento da equipe, até nas questões relativas à melhor escolha dos processos a serem utilizados: “O gerente de projetos, em colaboração com a equipe de projetos, sempre é responsável por determinar quais processos são apropriados”.
  • Assim como o ScrumMaster, o gerente de projetos deve ser um orientador da equipe: “A efetividade pessoal abrange (…) a capacidade de orientar a equipe do projeto ao mesmo tempo em que atinge objetivos e equilibra as restrições do mesmo”.
  • O PMBoK estimula a interação das pessoas: “A equipe do projeto deve estimular o envolvimento de todas as partes interessadas apropriadas ao planejar o projeto”.
  • Há um incentivo claro ao desenvolvimento da equipe no processo “Desenvolver a equipe do projeto”: “Desenvolver a equipe do projeto é o processo de melhoria das competências, da interação da equipe e do ambiente global da equipe para aprimorar o desempenho do projeto”.
  • O PMBoK incentiva a valorização das pessoas, através de feedbacks realistas e bonificações para a equipe: vide o processo Gerenciar a equipe do projeto.
  • O PMBoK também indica a iteração de entregas, através do planejamento em ondas sucessidas: “Planejamento em ondas sucessidas é uma forma de planejamento de elaboração progressiva em que o trabalho que será realizado a curto prazo é planejado em detalhes (…) e o trabalho distante no futuro é planejamento em um nível relativamente alto”.
  • O planejamento do projeto, segundo o PMBoK, deve ser feito pelo gerente e equipe: vide todos os processos de planejamento, onde sempre há a “Opinião especializada” como técnica para um melhor planejamento do projeto. Isso inclui definição e sequenciamento de atividades, estimativas, identificação dos riscos etc.

Conclusões (para pensar)

CERTEZAS DUVIDAS 279x300 Agile e PMBoK: é possível unir os opostos!

Apesar de possuir a certificação PMP e gerenciar os meus projetos hoje seguindo os conceitos do Agile, não sou defensor ferrenho de nenhuma das duas causas. Em meus projetos, o melhor de cada método (ou conjunto de conhecimentos) é aplicado. Acima de qualquer método, metodologia ou conjunto de conhecimentos está cada projeto, que são caracterizados justamente por sua natureza única. Sendo assim, seria ingenuidade afirmar que apenas uma técnica irá conseguir atender todas as particularidades de projetos de TI.

Ambas possuem seus méritos e seus defeitos e, por isso, é nosso dever selecionar o melhor de cada técnica.

Você identifica mais alguma semelhança entre PMBoK e Agile? Você discorda com o que foi dito aqui? Colabore com a discussão. Deixe seu comentário com a sua experiência!

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8 comentários

Marcelo Zeferino em 4 de abril de 2011 às 10:48

Olá Rafael,

Nossas idéias sobre como utilizar as ferramentas e caixas de conhecimento seguem a mesma linha.

Espero que com o tempo essa figura mais radical de certo e errado seja reduzida e tenhamos mais gente visando o sucesso do projeto, seja qual for o tipo de ferramenta utilizada.

Gosto sempre de lembrar uma das máximas do Agile Manifesto quando falo desse assunto: “individuals and interactions over process and tools”.

Seja Agile, PMBoK, Prince, Extreme Go Horse ou uma junção de todos, será a forma de condução do projeto e os envolvidos os verdadeiros responsáveis pelo sucesso.

Grande abraço e obrigado pelo feedback sobre meu artigo, além de meus parabéns pelo seu trabalho!

Marcelo Zeferino

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Claudio Cardozo em 4 de abril de 2011 às 11:37

Para qualquer ação sempre busco o aspecto conceitual, algo que seja “de facto”, sobre a qual precisaria muito suor para derrubar o “facto”. Posso propor que a ação é limitada por um retângulo, o rumo é o tempo, as laterais são a amplitude do seu projeto; devemos “vigiar” as margens, pois a distância (rumo) é conhecida. O principal item será sempre a análise empírica (gerenciamento de incertezas) e para isso será necessário bom senso, sempre. A literalidade na aplicação deste ou daquele método, elimina a possibilidade de uso conjunto de métodos ou frameworks; buscar esse “formato” é tentativa e erro, ajustando sempre pelo erro e revisando os acertos. Não vejo a oposição, exceto xiismo, na condução de projetos; não existe receita de bolo. Acho que existe conforto de alguns, e esses, ambos os lados, se opõe pelo purismo, ou pelo desconhecimento mesmo. São ignorantes (aqueles que ignoram). O Agile, é o movimento hippie da TI,… existe o oposto?

Gustavo Nogueira em 4 de abril de 2011 às 14:30

Conheço pouco sobre ambas metodologias, mas os pontos evidenciados como comuns às duas estão diretamente ligados à gestão e desenvolvimento de equipe. Nesse sentido, considero redundante destacar tais pontos, pois independente da metodologia, do projeto e até da área em que se atue, uma equipe onde não gestão, não há desenvolvimento e não há integração, o fracasso é certo.

Felipe Arimatéia em 16 de maio de 2011 às 14:33

Gostei do post, eu mesmo tenho interesse de fazer uma monografia o uso de metodos ágeis na gestão de pessoas… se alguém tiver alguma dica de bibliografia.

Rafael Ramos em 21 de maio de 2011 às 13:26

Obrigado Felipe. Aguardo sua visita mais vezes.

Renato Borges em 6 de julho de 2011 às 12:16

Parabéns pelo post. Muito interessante.
Eu não tenho muito conhecimento em Agile, mas percebi, em conversar com colegas, que já o utilizo em minha gestão de projetos, mesmo sem perceber. Isso pode indicar que, apesar de todas as boas práticas citadas pelo PmBok, ele pode sim ser “ágil”, ao contrário do que muita gente pensa.
Forte Abraço!!

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