Certificação SCRUM

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Este artigo pretende abordar um histórico da Certificação SCRUM, as polêmicas envolvidas e as novidades para o próximo ano. Prepare-se!

O Processo de Certificação

Desde 2006, vem sendo ministrado no Brasil um curso de dois dias sobre o SCRUM. O Blog do Milton Roman traz uma boa revisão sobre os vários tipos de certificação. Abaixo irei transcrever alguns pontos:

“O processo de certificação em Scrum é um pouco diferente das certificações que vemos no mercado atualmente. Para esclarecer um pouco melhor este processo, vou colocar abaixo uma interpretação minha do processo de certificação.”

certificacao scrum Certificação SCRUM

No primeiro nível de certificação, que seriam os treinamentos de Certified Scrum Master e Certified Scrum Product Owner, a pessoa apenas recebe o treinamento de um profissional aprovado pela Scrum Alliance. Este treinamento atesta que o participante possui conhecimento e é capaz de aplicar o Scrum, mas não comprova experiência ou habilidade.

No segundo nível de certificação, a pessoa precisa responder a uma série de questionamentos sobre a utilização de Scrum em um projeto em que participou. Estes questionamentos são avaliados por uma comissão da Scrum Aliance, que pode fazer novos questionamentos para esclarecer algo que não esteja claro. Esta comissão verifica se no projeto avaliado os conceitos de Scrum foram seguidos corretamente, conferindo (ou não) o título de Certified Scrum Practitioner. Nesse nível, a certificação também atesta experiência e habilidade com a implantação e utilização de Scrum.

No terceiro nível da certificação, a pessoa passa a ter um tutor, que vai treiná-la para a realização de treinamentos de novos Certified Scrum Masters e Certified Scrum Product Owners, ou então atuar como coach de Scrum em organizações. A impressão que tenho, é que este nível da certificação é algo parecido com um “treinamento Jedi”, mestre e aprendiz. Quando o tutor decidir, o candidato passa por uma avaliação, onde uma comissão pode aprová-lo como Certified Scrum Trainer ou Certified Scrum Coach. Nesse nível, a certificação atesta que a pessoa é capaz de transmitir conhecimento para outras pessoas que estejam interessadas em aprender Scrum.”

Polêmicas

Pela falta de um processo de avaliação rigoroso, críticas não faltam à opção da Scrum Alliance em conceder um certificado denominado “Mestre em Scrum” para um simples treinamento de dois dias. O Blog da ImproveIt diz que:

“Scrum é uma excelente forma de gerir projetos, portanto, recomendamos que você o aprenda. Talvez você decida aprender através de um curso. Se este for o caso, é importante saber que boa parte dos treinamentos de Scrum têm como objetivo formar Scrum Masters. São cursos de certificação. Eles são ótimos. Mas, se você for fazê-los, não faça pelo certificado, pois a validade do mesmo é, no mínimo, muito discutível. Para obtê-lo, não é necessário fazer prova, nem comprovar qualquer tipo de experiência com Scrum. Basta participar do curso e prestar um mínimo de atenção.”

No mesmo post na ImproveIt, uma crítica de Scott Ambler na revista Dr. Dobbs Magazine é reproduzida na íntegra:

“Ética na certificação Scrum

A Scrum Alliance continua dando um vexame, bem como a comunidade ágil em menor escala, na medida em que continua a operar o programa Certified Scrum Master (CSM). Para “conquistar” essa designação, você tem que participar de um curso de dois dias, ao final do qual, o instrutor decide se irá lhe conceder o certificado ou não. Não há nenhum teste e parece que há mais de 99% de aprovação.

Embora a Scrum Alliance não divulgue os números, diversos instrutores Scrum me contaram, privadamente, que se umas poucas dezenas de pessoas tiverem tido seu certificado recusado até hoje, já é muito. Alguns instrutores Scrum se gabam de ter reprovado algumas poucas pessoas que apenas se sentaram no curso e ficaram lendo email durante a aula, ao invés de escutá-los.

É claramente enganoso dizer que você é um “mestre certificado” (certified master) de alguma coisa depois de um curso de dois dias. Embora haja uma discussão atualmente na comunidade Scrum sobre se o problema é o uso da palavra “certificado” ou “mestre”, isso apenas serve para distrair as pessoas do problema real. A partir de discussões em diversas listas, fica muito claro que as pessoas que não são CSM reconhecem a trapaça, pessoas que são CSM também a reconhecem e até mesmo os instrutores CSM reconhecem a trapaça. Ainda assim o programa continua em operação.

A Scrum Alliance está trabalhando em uma nova certificação atualmente, com um pouco de consistência, embora em minha opinião, eles tenham perdido o imperativo moral para fazer isso há muito tempo. As pessoas envolvidas com a Scrum Alliance optaram, há alguns anos, operar o programa de certificação atual e tiveram tempo de sobra para solucionar as questões éticas relacionadas. Ética é uma reflexão sobre as escolhas conscientes que fazemos e a Scrum Alliance claramente fez as suas.

O desafio que temos pela frente é o fato de muitas pessoas boas terem escolhido se tornar CSMs, mas suas reputações estão em risco em função das ações de outros. Nem tudo está perdido. Há várias maneiras de restabelecer um alto teor ético:

• Você pode simplesmente parar de se autodenominar um CSM.
• Quando você indicar em seu currículo ou na assinatura do email que você é um CSM, você poderia colocar em seguida o texto “conquistado após participar de um treinamento de dois dias”.
• Você poderia incluir a URL de uma página que explicasse o significado da designação CSM.
Organizações também podem agir de forma ética. Elas podem solicitar que seu pessoal siga uma ou mais das recomendações acima para todos os tipos de certificações, não apenas CSMs. Elas também podem optar por promover um código de ética dentro da área de TI. Eu sugiro fortemente o que foi desenvolvido pela ACM/IEEE-CS (www.acm.org/constitution/code.html).”

Este artigo (http://www.infoq.com/br/news/2008/11/scrum-certification-test) da InfoQ Brasil também traz mais polêmicas:

“Milhares de pessoas têm certificados CSM sem possivelmente saber regras básicas do Scrum, o curso de CSM se tornou um Scrum Bootcamp (de fato)”

Revisão no processo de certificação

Diante das críticas da comunidade ágil, a Scrum Alliance alterou a estrutura da certificação Scrum Master. A partir de outubro de 2009, haverá necessidade de um teste online de 60 questões. A nova polêmica é que, qualquer pessoa que fizer o teste passará no exame. Neste “período de experiência”, serão selecionadas as 60 melhores perguntas para, posteriormente, o processo de certificação aprovar ou reprovar os candidatos.

Sinceramente? Enquanto essa certificação continuar desta forma sem critério, prefiro ser certificado somente pela experiência.

Fontes

http://www.infoq.com/br/news/2008/11/scrum-certification-test

http://improveit.com.br/scrum/certificacao

http://milton-roman.blogspot.com/2009/03/processo-de-certificacao-scrum.html

Aproveite e continue lendo outros conteúdos relacionados:

  1. Mudanças na certificação Scrum Master (CSM)
  2. Pronto para o SCRUM?
  3. SCRUM: Afinal, o SCRUM Board dá resultados?
  4. O lado humano do SCRUM
  5. Waterfall x Scrum x Lean: Principais diferenças em uma figura

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2 comentários

Tantan em 2 de outubro de 2009 às 14:59

Concordo plenamente, sou CSM (conquistado num curso de dois dias) e, algumas pessoas que fizeram comigo, em hipótese alguma deveriam possui-lo… talvez até eu mesmo, mesmo tendo lido o "tal livro" e ter tido contato com metodologias ágeis no passado. Realmente imaginava algum tipo de teste sinistro, e possivelmente estava preparado, pois havia devorado o "tal livro"… certificados? tenho um baú cheio deles em casa, após esses 24 anos vivendo TI e, posso afirmar, alguns deles, como o MILSTD-810E (norma militar em sistemas de missão crítica) é muito dificil, e quase todos que faziam comigo, inclusive eu, tinha a impressão de que não se conseguiria. NUNCA me pediram esse certificado, ou porque sabiam que eu tinha, ou por que era simplesmente um certificado… e aih? De qualquer forma, encaro esse certificado, como um pacto de boa vontade para com a metodologia SCRUM; nada mais.

Rafael Ramos em 2 de outubro de 2009 às 15:02

Tantan,

Só para ficarmos equalizados, não quis desmerecer o CSM, ok?

Eu apenas acho que muitas pessoas que o possuem, exibem como se fosse um certificado de PMP, por exemplo. Você tem a mesma ideia do certificado que eu, só acho 2 mil muito dinheiro para se pagar por um "pacto de boa vontade".

Abração!

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