Controle de ponto: necessário ou não?
O controle de ponto dos profissionais é realmente necessário ou ele reflete falhas na hora de contratar?
“Se você contrata bem não precisa controlar horário. A pessoa vai gerir os objetivos.”

A frase do diretor de Recursos Humanos na América Latina do Google, Deli Matsuo, resume bem a opinião deste blogueiro: a necessidade de controle de ponto dos profissionais reflete uma falha na absorção da cultura organizacional pelos profissionais. Minha dúvida é se realmente a falha é somente do RH ou se na disseminação da cultura como um todo.
Penso que é como em um casamento: é preciso que ambas as partes se conheçam bem e saibam até onde podem ir. No ambiente empresarial, muitas vezes, a empresa não procura conhecer completamente o profissional e o contrário quase sempre ocorre. Por exemplo: se eu lhe perguntar agora quais são a visão, a missão e os valores da sua organização, você saberia me responder? Na verdade, eu poderia afirmar que em muitos dos casos nem a alta administração da sua empresa sabe.
Se não há uma cultura disseminada, como há gestão?
Neste caso, a gestão provavelmente ocorre de acordo com o perfil do gestor. Consequentemente, será comum você encontrar equipes diferentes dentro de uma empresa com culturas e regras completamente distintas. O problema neste caso é que a empresa fica sem uma identidade e uma simples troca de equipe que, sendo bem planejada não deveria gerar maiores problemas, acaba se tornando um desafio como o de mudar de empresa.
Falamos de cultura, mas e o horário?
Eu levo comigo um lema: se você procura controlar o profissional por horário e não por objetivos, você está subentendendo que ele precisa ficar na empresa dentro do horário, mesmo que os objetivos não sejam cumpridos. A gestão por objetivos (ou por desafios) visa fazer com que o profissional vista a camisa e trabalhe não por horários, mas por um objetivo maior.
Controlar não é educar
Quando você possui mecanismos de controles exagerados, indiretamente você desafia o profissional a “quebrar” tais controles. A educação neste caso não seria a mais indicada? É necessário educar as pessoas, fazê-las entender que seu objetivo pessoal colabora para um objetivo maior e que, para isso, ela precisa saber como, e em quais horários, ela rende mais.
Existem profissionais que rendem mais à noite, outros que rendem mais de dia. O ideal seria criar um horário padrão em que todos estivessem na empresa e existir alguma flexibilidade. Essa medida certamente agradaria o membro do seu time e o motivaria ainda mais, pois você educando e não controlando.
E o RH?
Na minha visão, o RH deve ser parte desta mudança, a começar pela contratação. Ao meu ver, ele poderia auxiliar esse processo de mudança na contratação (contratando profissionais que concordem com a cultura da empresa), em palestras educativas (para os já existentes) e em reuniões de acompanhamento (visando acompanhar o cumprimento dos objetivos).
E você, o que acha do controle de ponto dos profissionais?
Tags:administracao, Carreira, gerenciamento de projetos, recursos humanos


1 comentário
Um sujeito com objetivos e "bem educado" (socializado) bastaria para suprimir o controle de ponto.
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